FATO DE MACACO
Aquele fato-de-macaco cinzento, com manchas pretas e de
outras cores quentes, estava largado em cima de um banco
corrido.
Há minutos saíra de um cacifo onde abafou durante dezasseis
horas.
A porta metálica empenada abriu-se em estrondo seco, a mão
grossa e peluda puxou-o pesada pelo hábito do movimento e
largou-o no banco.
Ouviram-se passos, um ruído estridente salpicado pelo
urinol, e os passos, sem vida, voltaram.
O fato-de-macaco cinzento, amarrotado, ganhou forma
esticado pelos ombros e calcanhares de um corpo gordo e
largo.